quinta-feira, 7 de junho de 2012

Equipe Pro Haiti e Conselheiro Consular do Haiti no Brasil

Notícias do Jornal Correio do Povo - Rio Grande do Sul

23/05/2012 13:09 - Atualizado em 23/05/2012 15:20

Situação dos haitianos no Estado é discutida em audiência pública

Ao menos 175 pessoas dessa nacionalidade vivem em território gaúcho

Uma audiência pública foi realizada na manhã desta quarta-feira na Assembleia Legislativa (AL) para discutir as condições em que vivem haitianos refugiados no Rio Grande do Sul. A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) apurou que pelo menos 175 pessoas dessa nacionalidade vivem no Estado e trabalham legalmente em Bento Gonçalves (16), Caxias do Sul (36), Gravataí (24), Marau (30), Porto Alegre (32), Sarandi (28) e Vale Real (6). No Brasil, o número passa de 5 mil. “Queremos acompanhar como está sendo feito o acolhimento a essas pessoas. Ainda não temos o número total de haitianos vivendo aqui”, explicou o presidente da CCDH, deputado Miki Breier (PSB).

A AL começou a investigar a vida dos haitianos no Rio Grande do Sul a partir de uma denúncia de suposto trabalho escravo em Osório, no Litoral Norte. “Não constatamos essas condições, mas vimos o não cumprimento das Leis Trabalhistas”, ressaltou o parlamentar, informando que os estrangeiros foram levados para Gravataí. “Eles precisam de condições de vida dignas”, salientou.

Durante a audiência, foram apresentadas as condições do Haiti após o terremoto em 2010, que devastou o país. Todas as informações reunidas no debate devem ser levadas à Confederação Parlamentar das Américas (Copa), que será realizada em junho, no Paraguai. Antes do evento, o tema também será discutido no Rio Grande do Norte.

Segundo a CCDH, cerca de 400 haitianos ingressam no Brasil por mês pelo estado do Acre. Lá eles recebem um visto humanitário, que permite a estada no país e também o trabalho. As empresas gaúchas que contrataram os estrangeiros estão dando suporte para essas pessoas, de acordo com Breier.

Uma das empresas é a Massas Romena, localizada em Gravataí, na região Metropolitana, onde trabalha o haitiano Jacksin Etienne. Ele está há quatro meses no Brasil, sendo três deles no Rio Grande do Sul. Agora ele atua na recepção de conterrâneos e também no setor administrativo da indústria. “Agradeço a receptividade dos brasileiros”, declarou. Ele disse que não havia condições de ficar no Haiti, mas que sente muita saudade dos familiares que permanecem lá. “Também enfrentamos outras dificuldades como a diferença da cultura e da comida”, destacou.

Participaram do encontro o representante do Comando Militar Sul, coronel da Cavalaria James da Cunha, o chefe do escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio Grande do Sul, embaixador Paulo Antônio Pereira Pinto, o superintendente regional do Trabalho e Emprego, Heron de Oliveira, a procuradora do Trabalho, Patrícia de Mello Sanfelice, o diretor Administrativo da Massas Romena, André Rosa, e o presidente do Sindicato da Indústria da Alimentação de Caxias do Sul, José Cesa Neto.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

ACNUR EM MANAUS

Aulas de português ajudam a integrar refugiados no Brasil, diz Acnur

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Classes organizadas pela agência em Manaus acontecem três vezes por semana; refugiada colombiana fala sobre benefícios após conseguir trabalho.

Aula para refugiados (Crédito: Acnur/Isabela Mazão)
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, organiza aulas de português para facilitar a integração de cidadãos que agora vivem no Brasil.
As classes, em Manaus, ocorrem três vezes por semana e são organizadas em parceria com a rede Cáritas. Segundo a agência da ONU, as aulas tem uma didática específica para facilitar o ensino do idioma aos adultos.
Fator Cultural
Em entrevista à Rádio ONU, de Brasília, o representante do Acnur no país, Andrés Ramirez, destacou que falar português é fundamental para a inserção na cultura brasileira.
"A verdade é que é uma política nossa fundamental, para poder garantir que as pessoas possam se inserir no mercado de trabalho. Uma das dimensões fundamentais para entrar no processo de integração da sociedade brasileira é o tema da cultura. E um aspecto chave da cultura é o tema da língua. Nós temos feito questão de garantir que as pessoas possam ter aulas de português."
Oportunidades
Segundo Andrés Ramirez, atualmente vivem no Brasil refugiados de mais de 70 nacionalidades.
Angelica Lozano fugiu do conflito armado da Colômbia. Vivendo há pouco mais de um ano em Manaus, ela garante que aprender português mudou sua rotina.
"Realmente mudou muito, porque nós socializávamos, estávamos juntos. Eu saía das aulas e começava a falar com todo mundo. Foi uma ajuda muito grande, realmente, as aulas para nós. Fiquei muito mais confiante. A gente conseguir entender o que os outros nos falam é um processo. É um processo, mas graças a Deus, deu certo."
Após aprender português com a ajuda do Acnur, no fim do ano passado, Angélica Lozano conseguiu um emprego e atualmente trabalha na Cáritas Manaus.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Presidente: Brasil e Haiti

Noticias

Drama dos Haitianos

Bruno Peron
Aproximadamente 5 mil haitianos entraram no Brasil desde a tragédia do terremoto que sacudiu a ilha caribenha em 12 de janeiro de 2010. Estima-se que a maior parte destes haitianos tenha ingressado em nosso território pelos estados setentrionais de Acre e Amazonas antes de buscar trabalho noutras regiões do país. A maioria destes migrantes gasta todo o dinheiro que juntou no Haiti para fazer a viagem em várias escalas (geralmente passa por República Dominicana, Panamá, Equador e Peru) até chegar ao Brasil, onde ainda deve definir a cidade que será o destino final.
A Embaixada Brasileira em Porto Príncipe, capital do Haiti, tem emitido 100 vistos mensais de “caráter humanitário” com validade de 5 anos desde janeiro de 2012, segundo resolução do Conselho Nacional de Imigração. A medida visa a controlar o fluxo abundante de imigrantes provenientes da ilha. Qual deveria ser a política migratória do nosso país frente aos desafios de um mundo cuja globalização implica que as pessoas não circulem com a mesma fluidez que as mercadorias e as finanças?
O governo brasileiro raramente estabelece barreiras à concessão de vistos a estrangeiros, salvo a regularização da entrada numerosa de haitianos estes dois últimos anos e a conduta de reciprocidade com a Espanha desde março de 2012 frente às exigências e humilhações aos brasileiros na entrada a este país europeu.
É tão difícil um migrante passar alguns meses ou anos longe de sua cidade de origem para estudar ou trabalhar mesmo sabendo que a família esteja bem. Mal podemos imaginar como é a vida de um haitiano que perdeu seus parentes nos escombros de um terremoto antes de se aventurar pelo mundo. Muitos deles ainda saem do Haiti sem ter conhecimento sobre a língua do país de destino. Neste, o migrante estará em busca de um trabalho através do qual possa enviar uma parcela módica de ajuda financeira a um irmão ou tio que deixou no Haiti.
Rutemarque Crispim – líder religioso de Brasileia, Acre, que acolheu muitos imigrantes do Haiti – afirmou em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos que os haitianos sofrem discriminação porque os nativos acreditam que aqueles são portadores de doenças (cólera, SIDA, vírus desconhecidos, etc), e sujeitam-se a formas de violência, como abandono e assaltos na trajetória ao Brasil. O pior é que alguns governos estaduais compram as passagens de migrantes “indesejados” a fim de que se mudem a outros estados e desonerem seu sistema público de saúde, moradia, etc.
A Agência Brasil informou que duas empresas gaúchas (Mirasul, do setor têxtil; e Finger, do setor moveleiro) acabam de contratar a mão-de-obra de 27 destes haitianos. (Empresas gaúchas contratam haitianos que entraram no país com visto humanitário, 11/05/2012). Embora aleguem o motivo solidário e a falta de trabalhadores no setor, os dirigentes destas empresas esquivam-se dos encargos elevados das nossas leis trabalhistas na medida em que os haitianos restringem-se a uma qualidade de visto que não lhes dá os direitos plenos de um cidadão brasileiro.
As medidas migratórias que acolhem haitianos no Brasil são tão ditosas quanto o envio de apoio (pessoal, material e técnico) para a reconstrução do Haiti. Estas são algumas das possibilidades para amenizar as dificuldades que hoje enfrentam os haitianos em seu próprio território. As fronteiras brasileiras não se fecham aos estrangeiros, porém é necessário advertir que o país não é o “paraíso” do desenvolvimento econômico que tanto se alardeia na imprensa internacional.
Quando pensamos no tema “migração internacional”, há que mencionar o histórico de brasileiros que saíram do país, estas útimas décadas, em busca de uma vida melhor. Há pouquíssimos anos, porém, fala-se de estrangeiros que vêm ao Brasil buscando aquilo que acreditávamos que estivesse noutro lugar. O Ministério do Trabalho, por esta razão, tem recebido um número cada vez maior de pedidos de visto de trabalho de estrangeiros bem qualificados.
A hospitalidade do Brasil com os estrangeiros, no entanto, contrasta com a dificuldade de sanar as carências infraestruturais dos brasileiros. Os imigrantes buscam aqui, em realidade, aquilo que também já buscávamos. O que era para ser solução para eles acaba intensificando um problema de todos: a competitividade no mercado de trabalho, as filas nos hospitais do Sistema Único de Saúde, o aumento do preço dos aluguéis. Sendo assim, a faixa salarial de entre R$ 700 e R$ 900 que as duas empresas gaúchas de Sarandi pagarão aos haitianos é baixa para os que têm acompanhado o aumento exponencial do custo de vida no país.
A vinda dos haitianos enriquece nossas culturas, porém há mais que se pode fazer para conferir ao maior número um padrão de vida digno. Disso sabe bem o governo chileno, que também enfrentou um terremoto, e as entidades assistenciais do Norte brasileiro que ofereceram abrigo e alimento aos haitianos. O diálogo nos foros internacionais elucida como é possível oferecer assistência humanitária a países afetados por catástrofes naturais sem que seja necessário entrar pelas portas do fundo.

Noticias de Manaus

Empresários estão levando haitianos de Manaus para o sudeste do Brasil

Padre da Paróquia de São Geraldo afirma que migração de haitianos para o Amazonas terminou. Seis mil passaram pelo Estado.
[ i ] Haitianos que vinham para Manaus buscam melhores empregos no restante do país. Foto: Ed Salles Haitianos que vinham para Manaus buscam melhores empregos no restante do país.
Manaus - De acordo com o padre Gelmino Costa, da Paróquia de São Geraldo, zona centro-sul de Manaus,  desde que saiu o decreto determinando o número de vistos liberados por mês aos haitianos para entrar no Brasil, houve mais oferta do que procura. “Ainda temos 3 mil haitianosem Manaus. Mas sei que a imigração chegou ao fim. O número de procura lá no Haiti para tirar visto foi menor que a oferta, que é 130 por mês”, disse.
A Paróquia de São Geraldo é o ponto de refúgio dos haitianos que chegam a Manaus.
Dos 6 mil haitianos que passaram por Manaus desde o ano passado, pelo menos mil  já foram para outros Estados brasileiros em busca de melhores oportunidades de emprego. Paraná, Rio Grande do Sul, Minais Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo são os principais destinos dos imigrantes.
De acordo com o padre Gelmino, nos últimos meses os empresários do Sul e Sudeste do País têm entrado em contato com a Igreja Católica para contratar os haitianos para trabalhar. “Os empresários nos ligam e pedem informações sobre os haitianos. E nós também perguntamos como será o trabalho que eles vão exercer, suas condições e os salários”, disse.
“Só para o Paraná já mandamos 230 haitianos. No Rio Grande do Sul, eles já foram para 15 cidades. No total, mais de 500 haitianos foram solicitados por empresários”, contou, acrescentando que até o final desta semana cerca de 50 seguem para outros Estados.
O padre disse, ainda, que muitos haitianos saíram de Manaus com destino a São Paulo  por conta própria. “Eu calculo que pelo menos 400 deles foram para São Paulo. Mas essa ida não encorajamos. Se eles vão é de forma espontânea”, informou.
Segundo ele, os haitianos que procuram São Paulo não são aqueles que acabaram de chegar a Manaus e, sim, os que já juntaram algum dinheiro trabalhando aqui. “Eles (paulistas) pagam mais do que em Manaus”, disse.
Solidariedade
O padre falou sobre as diferentes leituras que a sociedade manauara fez diante da imigração haitiana e  reconheceu que o povo amazonense é o mais generoso que conheceu.
“Tem gente que fica só observando e não faz nada. Já têm outros que ajudam mesmo. Temos vários milagres de doação. O povo de Manaus é generoso”, disse, acrescentando que os haitianos receberam mais de 400 mil quilos de alimentos.